Diferenciação entre Surdocegueira e Deficiências
Múltiplas
Por: Rosa Maria
Carneiro
“Nós não devemos deixar que as incapacidades
“Nós não devemos deixar que as incapacidades
das
pessoas nos impossibilitem de reconhecer
as
suas habilidades”
(
Hallahan e Kauffman, 1994)
A
surdocegueira, de acordo com McInnes (1999), é uma deficiência única e requer
uma abordagem especifica para favorecê-la. O individuo com surdocegueira
apresenta limitações ao mesmo tempo da perda da visão e da audição,
independente do grau das perdas; podendo ser congênita, isto é, já nasce com a
deficiência, ou adquirida, que pode ocorrer ao logo da vida e de modo geral com
uma linguagem já instituída ( oral ou de
sinais); esta dupla perda sensorial causa problemas
de aprendizagem, de conduta e também pode afetar suas possibilidades de
trabalho.
O autor McInnes apresenta a surdocegueira em:
Indivíduos que eram cegos e
se tornaram surdos;
Indivíduos que eram surdos e
se tornaram cegos;
Indivíduos que se tornaram
surdocegos;
Indivíduos que nasceram ou
adquiriram a surdocegueira precocemente.
A
deficiência múltipla (DMU) é uma condição que resulta de uma etiologia
congênita ou adquirida, e de acordo com a Lei 7.853, de 24 de outubro de 1989
define-se como: Deficiência Múltipla– a associação, no mesmo indivíduo, de duas
ou mais deficiências primárias (intelectual / visual / auditiva / física), com
comprometimentos que acarretam consequências no seu desenvolvimento global e na
sua capacidade adaptativa. “O termo deficiência múltipla tem sido utilizado, com
frequência, para caracterizar o conjunto de duas ou mais deficiências
associadas, de ordem física, sensorial, mental, emocional ou de comportamento
social. No entanto, não é o somatório dessas alterações que caracterizam a
múltipla deficiência, mas sim o nível de desenvolvimento, as possibilidades
funcionais, de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam
as necessidades educacionais dessas pessoas.” (MEC – 2006).
Ambas
se diferenciam pela razão das deficiências associadas que acometem o individuo,
a surdocegueira é limitada pela perda da visão e da audição, já a deficiência
múltipla ocorre pela associação de diversas deficiências, que pode ser de ordem
física e psíquica, sensorial e psíquica, sensorial e física e ainda física,
psíquica e sensorial
No entanto, a surdocegueira e a deficiência múltipla, apresentam a mesma necessidade básica: a questão da comunicação. È necessário que uma comunicação efetiva seja estabelecida o mais precoce possível, assim como a organização do ambiente para favorecer e estimular a interação com pessoas e objetos, pois “todas as pessoas se comunicam, ainda que em diferentes níveis de simbolização e com formas de comunicação diversas” (Bosco, p.11). Tais deficiências necessitam de constante interação com o meio ambiente, em que a organização, desde o mínimo detalhe até o mais complexo, e a rotina esteja presentes para melhor auxilia-los e favorecê-los na construção do processo de comunicação.
No entanto, a surdocegueira e a deficiência múltipla, apresentam a mesma necessidade básica: a questão da comunicação. È necessário que uma comunicação efetiva seja estabelecida o mais precoce possível, assim como a organização do ambiente para favorecer e estimular a interação com pessoas e objetos, pois “todas as pessoas se comunicam, ainda que em diferentes níveis de simbolização e com formas de comunicação diversas” (Bosco, p.11). Tais deficiências necessitam de constante interação com o meio ambiente, em que a organização, desde o mínimo detalhe até o mais complexo, e a rotina esteja presentes para melhor auxilia-los e favorecê-los na construção do processo de comunicação.
Tendo em vista que o corpo é uma realidade
imediata do ser humano e que por ele se descobre o mundo e a si mesmo, é
importante que o DMU e o Surdocego tenham o conhecimento do corpo para
descobrir o que está ao seu redor, elas necessitam de um desenvolvimento de esquema
corporal, perceber sua verticalidade, equilíbrio postural, articulação e
harmonização de seus movimentos, autonomia em movimentos, aperfeiçoamento das
coordenações viso motoras, motora global e fina e o desenvolvimento da força
muscular.
Na deficiência múltipla (DMU), é necessário organizar
o mundo da pessoa por meio do estabelecimento de rotinas claras e uma
comunicação adequada, a pessoa com DMU necessita de um ambiente reativo, isto
é, que responda a suas iniciativas. De acordo com Nunes (1999) no trabalho com
a pessoa com deficiência múltipla é fundamental a colaboração da família bem
como dos profissionais de outros serviços no qual todas as pessoas partilhem
dos mesmos objetivos.
Para auxiliar no desenvolvimento da
comunicação dessas deficiências, é necessário o uso de boas estratégias
alternativas que lhes permitam expressar suas necessidades, duvidas e suas
habilidades, valorizando em
qual estágio se encontram sua comunicação bem como as formas expressivas já
existentes na pessoa com dificuldade na comunicação como gestos, sons,
expressões faciais e corporais. Uma
das estratégias de comunicação é o uso da caixa de antecipação (qualquer objeto
objetos que permita guardar os objetos de referências de pessoas, ações, locais
que começam a ter significado para a criança), tais objetos precisam ser
funcionais e significativos para a criança, tangíveis, que segundo ROWLAND e
SCHWEIGERT “não é somente uma forma de comunicação, mas uma abordagem
sistemática ainda que flexível que é individualizada para se adaptar a cada
aprendiz.”; podem ser objetos ou figuras que substituem ou representam o que se
quer comunicar, podendo ser objetos completos, partes de objeto, objetos
associados, texturas ou formas, desenhos, fotografias e são considerados
tangíveis por serem permanentes e que precisam ser buscados na memória para se
manusea-los com boas interações.
Outro meio de estratégia é o uso dos
objetos de referencia, que são objetos com significados especiais associados a
eles e servem para comunicar sobre as mais variadas situações, tais objetos
podem representar: atividades, horários, qualificadores, lugares ou pessoas. Há
também o uso de pistas que auxiliam o Surdocego e o DMU, quando já possuem uma
comunicação básica, a antecipar informações de lugares, pessoas e ambientes,
podem ser: pistas de contexto, pistas de movimentos pistas táteis.
O uso de calendários (construídos com
uso de diferentes materiais: papelão, velcro, varal móvel, caixas variadas,
dentre outros) também auxilia no desenvolvimento da comunicação e no ensino de
conceitos temporais bem como na compreensão de rotinas.
Enfim, “as crianças com qualquer deficiência, independentemente de suas condições físicas, sensoriais, cognitivas ou emocionais são crianças que tem necessidade e possibilidade de conviver, interagir, trocar, brincar e serem felizes, embora, algumas vezes, por caminhos ou formas diferentes”. (Monte, p.13)
Referências:
BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA,
Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da
Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla. (2010), p.1-19
IKONOMIDIS, Vula Maria Apostila sobre “Deficiência Múltipla Sensorial”, 2010 sem publicar, texto apostilado.
MAIA, Shirley Rodrigues. Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla, São Paulo, 2011.
IKONOMIDIS, Vula Maria Apostila sobre “Deficiência Múltipla Sensorial”, 2010 sem publicar, texto apostilado.
MAIA, Shirley Rodrigues. Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla, São Paulo, 2011.
MONTE, Francisca Roseneide Furtado do, SANTOS, Idê Borges
dos. Saberes e Práticas da Inclusão: dificuldades acentuadas de aprendizagem: deficiência
múltipla. Brasília: MEC, SEESP, 2004. 58p
ROWLAND Charity e SCHWEIGERT Philip - Soluções Tangíveis para
Indivíduos Com Deficiência Múltipla e ou com Surdocegueira. Apostila In mimeo.
Tradução Acess. Revisão: Shirley R. Maia - 2013.