sábado, 19 de abril de 2014

Surdocegueira e DMU

Diferenciação entre Surdocegueira e Deficiências Múltiplas

Por: Rosa Maria Carneiro 

“Nós não devemos deixar que as incapacidades
das pessoas nos impossibilitem de reconhecer
as suas habilidades”
( Hallahan e Kauffman, 1994)


A surdocegueira, de acordo com McInnes (1999), é uma deficiência única e requer uma abordagem especifica para favorecê-la. O individuo com surdocegueira apresenta limitações ao mesmo tempo da perda da visão e da audição, independente do grau das perdas; podendo ser congênita, isto é, já nasce com a deficiência, ou adquirida, que pode ocorrer ao logo da vida e de modo geral com uma linguagem já instituída ( oral ou  de sinais); esta dupla perda sensorial causa problemas de aprendizagem, de conduta e também pode afetar suas possibilidades de trabalho.
O autor McInnes apresenta a surdocegueira em:
  Indivíduos que eram cegos e se tornaram surdos;
  Indivíduos que eram surdos e se tornaram cegos;
  Indivíduos que se tornaram surdocegos;
  Indivíduos que nasceram ou adquiriram a surdocegueira precocemente.
A deficiência múltipla (DMU) é uma condição que resulta de uma etiologia congênita ou adquirida, e de acordo com a Lei 7.853, de 24 de outubro de 1989 define-se como: Deficiência Múltipla– a associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias (intelectual / visual / auditiva / física), com comprometimentos que acarretam consequências no seu desenvolvimento global e na sua capacidade adaptativa. “O termo deficiência múltipla tem sido utilizado, com frequência, para caracterizar o conjunto de duas ou mais deficiências associadas, de ordem física, sensorial, mental, emocional ou de comportamento social. No entanto, não é o somatório dessas alterações que caracterizam a múltipla deficiência, mas sim o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas.” (MEC – 2006).
  Ambas se diferenciam pela razão das deficiências associadas que acometem o individuo, a surdocegueira é limitada pela perda da visão e da audição, já a deficiência múltipla ocorre pela associação de diversas deficiências, que pode ser de ordem física e psíquica, sensorial e psíquica, sensorial e física e ainda física, psíquica e sensorial
 No entanto, a surdocegueira e a deficiência múltipla, apresentam a mesma necessidade básica: a questão da comunicação. È necessário que uma comunicação efetiva seja estabelecida o mais precoce possível, assim como a organização do ambiente para favorecer e estimular a interação com pessoas e objetos, pois “todas as pessoas se comunicam, ainda que em diferentes níveis de simbolização e com formas de comunicação diversas” (Bosco, p.11). Tais deficiências necessitam de constante interação com o meio ambiente, em que a organização, desde o mínimo detalhe até o mais complexo, e a rotina esteja presentes para melhor auxilia-los e favorecê-los na construção do processo de comunicação.
 Tendo em vista que o corpo é uma realidade imediata do ser humano e que por ele se descobre o mundo e a si mesmo, é importante que o DMU e o Surdocego tenham o conhecimento do corpo para descobrir o que está ao seu redor, elas  necessitam de um desenvolvimento de esquema corporal, perceber sua verticalidade, equilíbrio postural, articulação e harmonização de seus movimentos, autonomia em movimentos, aperfeiçoamento das coordenações viso motoras, motora global e fina e o desenvolvimento da força muscular.
Na deficiência múltipla (DMU), é necessário organizar o mundo da pessoa por meio do estabelecimento de rotinas claras e uma comunicação adequada, a pessoa com DMU necessita de um ambiente reativo, isto é, que responda a suas iniciativas. De acordo com Nunes (1999) no trabalho com a pessoa com deficiência múltipla é fundamental a colaboração da família bem como dos profissionais de outros serviços no qual todas as pessoas partilhem dos mesmos objetivos.
 Para auxiliar no desenvolvimento da comunicação dessas deficiências, é necessário o uso de boas estratégias alternativas que lhes permitam expressar suas necessidades, duvidas e suas habilidades, valorizando em qual estágio se encontram sua comunicação bem como as formas expressivas já existentes na pessoa com dificuldade na comunicação como gestos, sons, expressões faciais e corporais. Uma das estratégias de comunicação é o uso da caixa de antecipação (qualquer objeto objetos que permita guardar os objetos de referências de pessoas, ações, locais que começam a ter significado para a criança), tais objetos precisam ser funcionais e significativos para a criança, tangíveis, que segundo ROWLAND e SCHWEIGERT “não é somente uma forma de comunicação, mas uma abordagem sistemática ainda que flexível que é individualizada para se adaptar a cada aprendiz.”; podem ser objetos ou figuras que substituem ou representam o que se quer comunicar, podendo ser objetos completos, partes de objeto, objetos associados, texturas ou formas, desenhos, fotografias e são considerados tangíveis por serem permanentes e que precisam ser buscados na memória para se manusea-los com boas interações.
Outro meio de estratégia é o uso dos objetos de referencia, que são objetos com significados especiais associados a eles e servem para comunicar sobre as mais variadas situações, tais objetos podem representar: atividades, horários, qualificadores, lugares ou pessoas. Há também o uso de pistas que auxiliam o Surdocego e o DMU, quando já possuem uma comunicação básica, a antecipar informações de lugares, pessoas e ambientes, podem ser: pistas de contexto, pistas de movimentos pistas táteis.
 O uso de calendários (construídos com uso de diferentes materiais: papelão, velcro, varal móvel, caixas variadas, dentre outros) também auxilia no desenvolvimento da comunicação e no ensino de conceitos temporais bem como na compreensão de rotinas.
   Enfim, “as crianças com qualquer deficiência, independentemente de suas condições físicas, sensoriais, cognitivas ou emocionais são crianças que tem necessidade e possibilidade de conviver, interagir, trocar, brincar e serem felizes, embora, algumas vezes, por caminhos ou formas diferentes”. (Monte, p.13)


Referências: 

BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla.  (2010), p.1-19 

         IKONOMIDIS, Vula Maria Apostila sobre “Deficiência Múltipla Sensorial”, 2010 sem publicar, texto apostilado.

       MAIA, Shirley Rodrigues. Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla, São Paulo, 2011.

MONTE, Francisca Roseneide Furtado do, SANTOS, Idê Borges dos. Saberes e Práticas da Inclusão: dificuldades acentuadas de aprendizagem: deficiência múltipla. Brasília: MEC, SEESP, 2004. 58p

ROWLAND Charity e SCHWEIGERT Philip - Soluções Tangíveis para Indivíduos Com Deficiência Múltipla e ou com Surdocegueira. Apostila In mimeo. Tradução Acess. Revisão: Shirley R. Maia - 2013. 








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